Inovação: impressão 3D ajuda na visualização e correção de deformidades vertebrais

Modelo Tridimensional_Foto Dr. André Castilho

No dia 12 de janeiro, foi realizada uma cirurgia para correção de alteração vertebral, conhecida como escoliose congênita, em um hospital de grande porte na capital mineira, com o apoio de um modelo tridimensional produzido pelo Biolab 3D, o Laboratório de Prototipagem 3D do Instituto de Inovação e Incorporação Tecnológica Ciências Médicas de Minas Gerais.

 

A escoliose congênita tem origem ainda na fase embrionária e se desenvolve ao longo do crescimento da criança e do adolescente. Em grande parte dos casos, a intervenção cirúrgica é indicada para reduzir o risco de progressão da deformidade e corrigir a curvatura da coluna, prevenindo complicações na vida adulta.

 

A iniciativa integra o projeto “Classificação de Kawakami em pacientes com escoliose congênita: uma análise comparativa entre imagem de tomografia computadorizada de coluna vertebral e modelo tridimensional”, contemplado pelo edital PROBIC de Prototipagem Biolab 3D, ciclo 2025–2026. A proposta é aprimorar o planejamento cirúrgico por meio de uma visualização mais precisa das deformidades, já que as imagens convencionais de tomografia são apresentadas em cortes e exigem que o médico reconstrua mentalmente a anatomia do paciente.

 

Segundo o coordenador do Biolab 3D, Breno Augusto Ferreira, o modelo é desenvolvido a partir de arquivos DICOM (Digital Imaging and Communications in Medicine) gerados pela tomografia. “São centenas de imagens em fatias, obtidas em três eixos. Utilizamos softwares que integram esses dados e permitem a reconstrução de um modelo tridimensional da coluna, oferecendo ao cirurgião uma visão espacial completa da estrutura”, explica.

 

O ortopedista e cirurgião de coluna responsável pela cirurgia, Dr. André Castilho, destaca a contribuição da tecnologia para o procedimento: “Durante a cirurgia, a gente consegue usar esse modelo para nos ajudar tanto na identificação das estruturas que serão operadas quanto no planejamento de parafusos e correção. Temos esse projeto junto com a Ciências Médicas e estamos desenvolvendo modelos 3D não só para ajudar durante a cirurgia, mas também para a produção de trabalho científico, em termos de validação de classificação, avaliação e justificativa para nos ajudar na parte cirúrgica”.

 

Para o professor adjunto do departamento de Cirurgia da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG) e coorientador do projeto, Dr. Roberto Zambelli, a impressão 3D representa um avanço significativo no planejamento cirúrgico. “Esses modelos proporcionam uma visualização mais clara e confiável, o que pode reduzir o tempo de cirurgia, a perda sanguínea e as complicações associadas a procedimentos prolongados. Felizmente, hoje, aqui na Ciências Médicas, a gente tem a oportunidade de coordenar duas linhas de pesquisa, tanto em coluna como em cirurgia dos membros inferiores, que, inclusive, é uma linha de pesquisa do nosso mestrado”, comenta.

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