Diagnóstico precoce é desafio para esclerose múltipla 

Dia Mundial reforça a importância de reconhecer sintomas e reduzir o tempo até o tratamento
Celebrado em 30 de maio, o Dia Mundial da Esclerose Múltipla foi instituído em 2009 pela Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF), com o objetivo de ampliar a conscientização da população e dar visibilidade às pessoas que convivem com a doença. No Brasil, estima-se que cerca de 40 mil pessoas tenham esclerose múltipla (EM), segundo dados da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.
Banco de imagens

Em 2026, a campanha tem como tema “Meu Diagnóstico de EM”, destacando a importância da identificação precoce e precisa da doença. A neuroimunologista e professora da Faculdade Ciências Médicas de MinasGerais (FCM-MG), Dra. Juliana Santiago, explica como ocorre o processo de diagnose: “O diagnóstico da esclerose múltipla é feito por meio da avaliação clínica, do exame neurológico, da ressonância magnética e, em muitos casos, da análise do líquor (líquido cefalorraquidiano). Um dos grandes desafios [durante o diagnóstico] é que os sintomas iniciais podem ser intermitentes, variados e, às vezes, confundidos com outras condições neurológicas”.

O que é a esclerose múltipla
De acordo com o Ministério da Saúde, a esclerose múltipla é uma doença crônica, autoimune e neurológica que afeta o sistema nervoso central, comprometendo o cérebro e a medula espinhal. Ela ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar estruturas saudáveis do próprio organismo.
“A esclerose múltipla costuma acometer adultos jovens, geralmente entre 20 e 40 anos, e é mais frequente em mulheres, em uma proporção aproximada de três mulheres para um homem”, complementa a Dra. Juliana Santiago.
Sintomas variados e diagnóstico complexo
A identificação da esclerose múltipla ainda é considerada desafiadora, já que não existe um teste único e definitivo, além de os sintomas iniciais poderem ser confundidos com outras doenças inflamatórias, infecciosas, vasculares, metabólicas ou desmielinizantes (condição que causa danos à camada lipoproteica no cérebro, na medula espinhal e nos nervos).
Entre os sinais mais comuns estão visão embaçada com dor à movimentação ocular, dormência, formigamento em membros, fraqueza muscular, desequilíbrio, tontura, incoordenação e alterações esfincterianas, como retenção ou incontinência urinária e fecal.
“Como a esclerose múltipla pode atingir diferentes áreas do sistema nervoso central, ela pode causar manifestações bastante variadas de uma pessoa para outra, sendo que esses sintomas podem aparecer isolados (por exemplo, fraqueza de apenas um membro) ou associados (por exemplo, fraqueza de um membro e tontura). Cerca de 85% dos pacientes apresentarão uma doença marcada por surtos, que são os sintomas neurológicos agudos como os exemplificados acima, com duração superior a 24 horas, com melhora completa ou incompleta em dias a meses”, afirma a neuroimunologista e professora da FCM-MG, Dra. Juliana Santiago.
Fatores de risco e atraso no diagnóstico
Embora a causa exata da doença ainda não seja totalmente conhecida, estudos indicam que a esclerose múltipla resulta da interação entre fatores genéticos e ambientais. “Entre os fatores de risco mais bem estabelecidos estão a infecção prévia pelo vírus Epstein-Barr (vírus da família Herpesviridae), tabagismo, obesidade durante a infância/adolescência, baixos níveis de vitamina D e história familiar”, enumera a Dra. Juliana.
No Brasil, o diagnóstico pode levar, em média, de dois a três anos para ser confirmado, o que contribui para o início tardio do tratamento. “Com o objetivo de ajudar a encurtar esse tempo e trazer uma solução prática para a realidade brasileira, eu criei recentemente o Surtômetro Brasil, uma inteligência artificial que analisa o risco de um sintoma apresentado pelo paciente corresponder a um surto da doença. A proposta é ampliar a conscientização sobre sinais de atividade inflamatória, estimular a busca precoce por avaliação especializada e, com isso, contribuir para diagnóstico e tratamento mais oportunos”, anuncia a especialista.
Mensagem final da Dra. Juliana Santiago
“Pouca gente sabe, mas a esclerose múltipla é uma doença tratável. Hoje, existem diversas medicações capazes de mudar o curso da doença, reduzir surtos, controlar a inflamação e impactar diretamente o futuro do paciente. Por isso, o diagnóstico precoce é tão importante, pois quanto antes o tratamento começa, maiores são as chances de manter a doença sob controle. Ainda é preciso desmistificar a ideia de que a esclerose múltipla necessariamente leva à incapacidade. Essa visão vem de uma época em que não havia tratamento, mas isso mudou desde 1993, quando surgiram as primeiras terapias modificadoras da doença. Hoje, o cenário é outro: com diagnóstico e tratamento adequados, é possível viver com mais controle, autonomia e qualidade de vida.”

Posts relacionados

Dia Mundial reforça a importância de reconhecer sintomas e reduzir o tempo até o tratamento Celebrado em 30 de maio, o Dia Mundial da Esclerose Múltipla foi instituído em 2009 pela Federação Internacional de Esclerose...
29 maio 2026
O podcast Minuto Saúde, projeto de extensão da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), disponível gratuitamente no Spotify, leva ao público geral informações confiáveis sobre saúde e qualidade de vida, por meio de...
28 maio 2026
Mais comum em mulheres, síndrome exige abordagem multidisciplinar e atenção à saúde mental Dor crônica que dura meses ou anos, cansaço persistente e impactos diretos na qualidade de vida. Esses...
27 maio 2026
Rolar para cima