Mais do que viver mais: prevenção ajuda a preservar a autonomia no envelhecimento 

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Segundo o Ministério da Saúde, com base em dados de 2024 do IBGE, o Brasil tem aproximadamente 36 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. No mês em que é celebrado o Dia Nacional da Saúde (5 de agosto), especialistas dos Institutos Ciências Médicas reforçam que a prevenção e o cuidado com a saúde são os principais aliados para uma longevidade com melhor qualidade de vida e autonomia.
Saúde preventiva
A infectologista e diretora clínica do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais (HUCM-MG), Dra. Raquel Bandeira, observa que não existe uma idade ideal para começar a investir na prevenção da saúde.
“A prevenção deve começar desde cedo e acompanhar todas as etapas da vida. Na infância e na adolescência, ela envolve vacinação, alimentação adequada, atividade física, desenvolvimento saudável e educação para o autocuidado. Na vida adulta, acrescentamos a avaliação dos fatores de risco metabólicos e cardiovasculares e os rastreamentos indicados para cada faixa etária. Quanto mais cedo os hábitos saudáveis forem incorporados, maior tende a ser o benefício ao longo da vida.”
Segundo Bandeira, na prática, cuidar da saúde de forma preventiva significa conhecer o próprio histórico de saúde, avaliar fatores de risco, manter as vacinas atualizadas, acompanhar indicadores como pressão arterial, glicemia e colesterol e realizar os rastreamentos recomendados para cada idade e perfil.
“A consulta preventiva permite reunir todas essas informações e construir um plano de cuidado individualizado”, acrescenta.
Hábitos que protegem
A médica geriatra e diretora da Pós-Graduação da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Marayra Coury, explica que a forma como envelhecemos é construída diariamente e que o envelhecimento começa antes dos 60 anos, a partir da adoção de hábitos saudáveis e de práticas preventivas.
“Grande parte das doenças crônicas que acometem os idosos estão relacionadas a fatores modificáveis, como sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo, consumo excessivo de álcool e sono insuficiente. Praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada, controlar pressão arterial, diabetes e colesterol, não fumar, manter vínculos sociais e cuidar da saúde mental são medidas que reduzem significativamente o risco de doenças cardiovasculares, demência, fragilidade, quedas e incapacidade”, complementa a especialista.
Já a diretora clínica do HUCM-MG, Dra. Raquel Bandeira, salienta que “quanto mais cedo os hábitos saudáveis forem incorporados, maior tende a ser o benefício ao longo da vida. No entanto, nunca é tarde para começar. Mudanças realizadas aos 30, 50, 70 anos ou mais continuam produzindo benefícios importantes para a saúde, a autonomia e a qualidade de vida”.
60+: atenção aos sinais
Sempre é tempo de começar a cuidar da saúde, mesmo quando o cuidado preventivo não foi realizado antes dos 60 anos. Para a pessoa idosa, é importante prestar atenção a alterações que podem indicar a necessidade de avaliação profissional.
“Na pessoa idosa, alterações aparentemente simples podem indicar problemas importantes: perda de peso sem explicação, redução da força muscular, quedas, esquecimentos progressivos, dificuldade para caminhar, perda de equilíbrio, alteração do humor, diminuição do apetite, sonolência excessiva ou perda da capacidade para realizar atividades do dia a dia. O acompanhamento periódico permite identificar essas alterações precocemente, revisar medicamentos, atualizar vacinas e intervir antes que ocorram hospitalizações, fraturas ou perda de independência”, reforça a professora.
O acompanhamento com o geriatra, segundo a Profa. Marayra Coury, deve começar antes do surgimento das limitações relacionadas ao envelhecimento, uma vez que essa especialidade avalia o risco de quedas, a fragilidade, a perda de memória e a sarcopenia; revisa medicamentos; evita exames e tratamentos desnecessários; e organiza um plano individualizado de envelhecimento saudável.
“Embora muitas pessoas procurem o geriatra após os 70 anos ou quando aparecem várias doenças, o acompanhamento pode começar por volta dos 60 anos, ou até antes, especialmente quando existem múltiplas doenças crônicas, uso de vários medicamentos ou histórico familiar importante. […] Quanto mais cedo iniciamos esse acompanhamento, maiores são as chances de manter autonomia e qualidade de vida por muitos anos”, destaca Coury.
A importância do acompanhamento
O acompanhamento periódico, aliado à adoção de hábitos saudáveis e às medidas de prevenção ao longo da vida, contribui para identificar precocemente alterações na saúde e permite intervenções que ajudam a preservar a autonomia e a qualidade de vida. Mais do que aumentar a expectativa de vida, o cuidado contínuo busca garantir que esses anos sejam vividos com independência, segurança e bem-estar.
“Envelhecer bem depende de escolhas individuais, mas também de prevenção, vacinação, acompanhamento médico, atividade física, alimentação saudável, participação social e acesso aos serviços de saúde. A longevidade é uma conquista. O grande desafio agora é transformar anos de vida em anos vividos com independência, dignidade e qualidade”, finaliza a Profa. Marayra Coury.

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