Dor crônica, cansaço e invisibilidade: os desafios da fibromialgia

Mais comum em mulheres, síndrome exige abordagem multidisciplinar e atenção à saúde mental
Dor crônica que dura meses ou anos, cansaço persistente e impactos diretos na qualidade de vida. Esses são alguns dos desafios enfrentados por pessoas com fibromialgia (FM), condição que atinge entre 2% e 3% da população, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).
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O dia 12 de maio marca o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia, uma síndrome que não possui causa única, sendo resultado de uma combinação de fatores. Entre eles estão: predisposição genética, alterações no sistema nervoso, estresse emocional, doenças psiquiátricas, traumas físicos ou psicológicos e distúrbios do sono.

Embora possa atingir pessoas de diferentes idades, a síndrome acomete principalmente mulheres, que representam cerca de 80% a 90% dos casos, especialmente na faixa etária dos 30 aos 55 anos.
Entre os principais sintomas estão: dores generalizadas, cansaço persistente, sono não reparador e dificuldade de concentração e atenção, enumera o reumatologista e professor da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Dr. Lucas Moysés.
Além desses sinais, a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde destaca outros sintomas frequentemente associados à fibromialgia, como:
  • síndrome do intestino irritável;
  • maior sensibilidade a estímulos ambientais, como cheiros e ruídos intensos;
  • dor ou sensibilidade durante a micção;
  • cefaleia;
  • sensação de formigamento ou dormência nas mãos e nos pés;
  • distúrbios emocionais e psicológicos.
Diagnóstico e tratamento da fibromialgia
Os sintomas difusos são um dos principais desafios para o diagnóstico precoce da fibromialgia. A ausência de um exame específico também dificulta a identificação da síndrome, já que o diagnóstico é clínico, feito por meio de entrevista médica e exames físicos. Conforme o reumatologista da FCM-MG: “O maior desafio é que não existe um exame específico que ‘dê positivo’. Além disso, os sintomas são subjetivos e comuns a várias doenças, o que leva muitos pacientes a passarem por diferentes especialistas antes do diagnóstico correto. Por fim, não é incomum a fibromialgia coexistir com outras doenças”.
A fibromialgia ainda não tem cura, mas conta com tratamento eficaz e multidisciplinar, capaz de proporcionar qualidade de vida. Atualmente, a abordagem vai além da medicação, incluindo a prática de atividades físicas regulares, melhora do sono e controle do estresse. “A atividade física é a intervenção que melhor mostra benefício de melhora nos estudos científicos. Já os medicamentos são importantes no alívio dos sintomas para que o paciente consiga fazer o tratamento não medicamentoso”, esclarece o Dr. Lucas Moysés.
O impacto da saúde mental
Fatores emocionais como ansiedade, depressão e estresse também estão associados à síndrome. Embora não sejam causas únicas da fibromialgia, eles podem agravar os sintomas. “O cérebro e o corpo estão conectados. Assim, quando a saúde emocional não está bem, a percepção da dor tende a aumentar”, explica o especialista.
Mensagem final do reumatologista e professor da FCM-MG, Dr. Lucas Moysés
“A fibromialgia é uma doença real, reconhecida, que causa sofrimento significativo. Ela não aparece em exames, mas isso não significa que não exista. Com diagnóstico correto, acompanhamento médico e participação ativa do paciente no tratamento, é possível ter qualidade de vida e uma vida normal. E o mais importante: acolhimento e compreensão fazem parte do tratamento.”
Quiz – Verdadeiro ou falso sobre a fibromialgia
  1. (   ) A fibromialgia é uma doença inflamatória nas articulações.
  2. (   ) A dor da fibromialgia é generalizada e pode durar meses ou anos.
  3. (   ) A fibromialgia afeta apenas pessoas idosas.
  4. (   ) Cansaço extremo e distúrbios do sono são sintomas comuns.
  5. (   ) A prática de atividade física orientada pode ajudar no controle dos sintomas.
Respostas:
  1. Falso
  2. Verdadeiro
  3. Falso
  4. Verdadeiro
  5. Verdadeiro

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