Saiba reconhecer os sinais de alerta dos transtornos alimentares 

Mais de 70 milhões de pessoas no mundo convivem com transtornos alimentares, como anorexia nervosa, bulimia nervosa e compulsão alimentar periódica, segundo a World Eating Disorders Action Day. No Brasil, são quase 11 milhões de casos, conforme a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.
Desenvolvidos de forma gradual e silenciosa, os transtornos alimentares são doenças mentais complexas e multifatoriais, que resultam da interação entre vulnerabilidades biológicas, psicológicas, familiares e socioculturais. Embora possa afetar pessoas de todas as idades, desde crianças até adultos, cada condição apresenta maior incidência em diferentes perfis. Por exemplo, a anorexia nervosa é mais frequente no sexo feminino, especialmente entre 12 e 17 anos. A bulimia nervosa também acomete predominantemente mulheres, com maior ocorrência entre os 15 e 25 anos. Já o transtorno da compulsão é mais comum na vida adulta e pode atingir pessoas de ambos os sexos.
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Para o psiquiatra, membro titular da Academia Mineira de Medicina e professor adjunto da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Dr. Humberto Corrêa, “podemos dizer que transtornos alimentares não dizem respeito apenas à comida ou ao peso corporal, mas refletem sofrimento emocional profundo e alterações significativas na percepção de si mesmo e do próprio corpo”.

Sinais de alerta
Nem sempre quem está enfrentando um transtorno alimentar reconhece que precisa de ajuda. Por isso, é fundamental que familiares e amigos estejam atentos aos sinais de alerta para identificar precocemente padrões nocivos e contribuir para a busca por acompanhamento especializado. Assim como em outras doenças, o diagnóstico precoce é um dos principais aliados para uma recuperação mais eficaz.
Entre os principais sinais de alerta dos transtornos estão:
• preocupação excessiva com peso, calorias e aparência física;
• distorção da imagem corporal, mesmo quando a pessoa apresenta peso adequado;
• restrição alimentar importante ou exclusão rígida de grupos alimentares;
• episódios de compulsão alimentar;
• indução de vômitos, uso abusivo de laxantes ou prática excessiva de exercícios físicos;
• isolamento social, especialmente em situações que envolvem alimentação;
• uso de roupas largas para esconder o corpo;
• ritualização alimentar, como cortar alimentos em pedaços muito pequenos ou comer de forma extremamente lenta;
• oscilações importantes de peso.
Em muitos casos, a dificuldade também está em conseguir expressar um pedido de ajuda. “Muitos pacientes apresentam intenso sofrimento emocional associado à vergonha, culpa e negação da gravidade do quadro, o que frequentemente dificulta a busca espontânea por ajuda”, reforça o psiquiatra.
Tratamento multiprofissional
O tratamento dos transtornos alimentares, segundo o Dr. Humberto Corrêa, deve ser conduzido de forma multiprofissional, envolvendo psiquiatras, psicólogos, nutricionistas e, em muitos casos, clínicos gerais e terapeutas familiares. “Em quadros graves, pode haver necessidade de internação devido ao risco clínico e psiquiátrico associado. Nesse contexto, o acompanhamento psicoterápico é um dos pilares no tratamento dos transtornos alimentares. Essas condições não envolvem apenas alterações do comportamento alimentar, mas questões emocionais profundas relacionadas à autoestima, identidade, regulação emocional, relações interpessoais e percepção corporal”, finaliza o professor adjunto da FCM-MG.

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