Câncer de mama: especialista alerta para sinais de atenção e fatores de risco
Durante o Outubro Rosa, mastologista do IONCM-MG destaca a importância do rastreamento mamográfico e da identificação de alterações nas mamas
A Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), por meio dos Institutos Ciências Médicas de Minas Gerais, promoveu e participou de ações relacionadas à campanha Outubro Rosa, com iniciativas direcionadas aos públicos interno e externo. Entre as atividades voltadas ao público externo, destacaram-se o minissimpósio “Outubro Rosa – Câncer de Mama: Um Diagnóstico, Muitos Olhares”, realizado em 22 de outubro, no Anfiteatro do Instituto de Oncologia Ciências Médicas de Minas Gerais (IONCM-MG), e a mobilização para a realização de mamotomias — técnica minimamente invasiva de biópsia mamária —, aos sábados, ao longo de todo o mês.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 78.610 novos casos de câncer de mama no Brasil em 2026. Segundo o Ministério da Saúde, a doença é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres no país. Embora seja mais comum entre mulheres, o câncer de mama também pode acometer homens, o que representa cerca de 1% dos casos.
O câncer de mama pode se desenvolver inicialmente sem apresentar sintomas, como nódulos, alterações na pele ou secreções. É o que explica o mastologista e coordenador do Serviço de Mastologia do IONCM-MG, Dr. Waldeir J. de Almeida Júnior.
Diagnóstico e sinais de alerta
O diagnóstico do câncer de mama pode ocorrer por meio do rastreamento mamográfico ou da investigação de alterações suspeitas. A mamografia de rastreamento é um exame indicado para mulheres a partir dos 40 anos, realizado a cada dois anos, conforme a recomendação adotada no contexto abordado. “O diagnóstico inicial pode ser por pequenos focos de calcificações identificados somente na mamografia de rastreamento, sem qualquer sintoma. Este é o grande mote da mamografia de rotina: podemos ter o diagnóstico de uma lesão sem qualquer sintoma clínico. Isso aumenta drasticamente as taxas de cura da doença e a não realização de cirurgias agressivas ou tratamentos com grandes efeitos colaterais. A redução da mortalidade por câncer de mama com a utilização de um rastreamento mamográfico adequado pode reduzir a mortalidade da doença em até 40%”, detalha o mastologista.
Outra forma de identificar alterações é por meio do autoexame, método utilizado e indicado para mulheres adultas que ainda não alcançaram a idade mínima para a realização da mamografia de rastreio. “A incidência de cânceres de mama em mulheres com menos de 40 anos, segundo alguns estudos, é de aproximadamente 21%. Esse grupo de mulheres tem tido um aumento da incidência da doença, mas os motivos [ainda] não são muito claros”, conta o Dr. Waldeir Júnior.
Em sua fase inicial, algumas alterações podem favorecer o diagnóstico da doença que já apresente sintomas clínicos. “Na grande maioria das vezes, as alterações encontradas são benignas, mas qualquer modificação na mama — alterações de tamanho, da coloração da pele, da forma da mama ou dos mamilos; aparecimento de abaulamento (saliência, inchaço localizado ou alteração no contorno); retração ou nódulos na mama ou na axila — deve ser avaliada pelo mastologista. É ele quem definirá a necessidade ou não de se aprofundar na investigação dos achados”, reforça o coordenador do IONCM-MG.
Fatores de risco e hábitos que ajudam a prevenir
Entre os principais fatores de risco para o câncer de mama estão a idade mais avançada, a obesidade, os aspectos relacionados à vida reprodutiva da mulher, a alta densidade do tecido mamário, o sedentarismo, o consumo de bebidas alcoólicas e a hereditariedade.
Segundo o especialista, a predisposição hereditária está relacionada a apenas 5% a 10% dos casos de câncer de mama. “A história familiar é significativa para o câncer de mama, mas quem tem maior risco são as mulheres que têm parentes de primeiro grau (mãe, irmã, filha) e que têm homem com câncer de mama na família. No entanto, se a mulher não tem uma história familiar, isso não quer dizer que ela está protegida. Ela deve se cuidar sempre.”
O estilo de vida também pode influenciar o risco de desenvolver a doença. A adoção de hábitos saudáveis, como a prática regular de atividades físicas e o controle do peso, contribui para a redução desse risco. “A mulher que faz 150 minutos por semana de atividade física moderada reduz em 21% o risco de câncer de mama. A obesidade é um fator de risco importante, podendo aumentar em 3× o risco relativo de câncer de mama”, alerta o Dr. Waldeir J. de Almeida Júnior.
